sexta-feira, 2 de agosto de 2024

CONTINUUM: ROLEPLAYING IN THE YET, parte 3: Onde se descortinam alguns segredos da eternidade



CONTINUUM s.m.

[Do latim continuus [forma neutra], "contínuo" < continere "manter junto, restringir" < tenere < PIE ten "esticar"]

  1. A humanidade (incluindo senciência não humana) capaz de saltar e a estrutura social que a mantém unida.
  2. A totalidade da senciência ao longo do espaço-tempo, mais especificamente aquela que é usada para manter a existência.


Traduzi a entrada dicionarizada acima diretamente do livro base. P não perder o embalo, vou traduzir o ótimo resumo q a página da Wikipédia faz do jogo, c comentários pertinentes e impertinentes meus entre colchetes [gosto de colchetes]:

“O Continuum – a principal civilização saltadora [então quer dizer q há outras? Catapimbas!] – se estende por toda a história humana (embora a sociedade pós-humana dos enigmáticos Inheritors, ou “Herdeiros”, faça fronteira c o Continuum nas duas pontas do tempo). A prioridade dessa civilização é aumentar o conhecimento e aceitação da viagem no tempo da espécie humana, de modo que, quando a viagem no tempo for descoberta e anunciada (aproximadamente em 2222 d.C.), os humanos estejam prontos p ela e p dar o próximo passo da sua evolução (tornarem-se os Herdeiros [se era p revelar isso aqui, então pq usar o adjetivo “enigmáticos” lá no começo do texto? alô, editor!]). Outra preocupação central do Continuum é realizar a documentação completa da história.”

Ao q eu acrescentaria:

“...e a “moldagem” de sociedades inteiras – atividade q constitui um metajogo, ou seja, um jogo dentro do jogo chamado Greatest Game (O Grande Jogo), sobre o qual falaremos no “devido tempo” (ba dum tss).

Eu temia q alguém perguntasse “mas pq fazer a documentação completa da história, Fábio?”, pq eu teria de responder q n faço a menor ideia e passar vexame, mas na vdd acabei de descobrir q entendi isto: há várias razões, porém a mais interessante e importante é q registros completos e minuciosos da história total de todas as nações (veja-se Sociedades, adiante) simplesmente facilitam, quando n garantem, q o Continuum localize rapidamente qq alterações da linha do tempo, por menores q sejam, e saltadores apareçam por lá p arrumar a bagunça.

 

CIVILIZAÇÃO s.f.

[francês antigo < latim civis "cidadão" < "membro de uma família"]

Para os enaltecidos, o período abrangente dominado por uma espécie ou subespécie particular, em oposição a apenas uma cultura.

Exemplos de civilizações: Antedesertium, as Sociedades, os Herdeiros.

 

Então existe o Continuum, q é “a estrutura social que mantém unida a humanidade capaz de saltar”, existem outras civilizações humanas (é claro), mas nos limitemos às outras civilizações humanas saltadoras. P mim, a mais fascinante (de longe) e tb aquela c o nome mais estiloso (bem ph0d@, na real) é o Antedesertium, nada mais nada menos q a civilização dos narcisistas:

 

Antedesertium s.m.

[Do latim "a terra antes do tempo do deserto"]

O império narcisista que representa a maior ameaça ao Continuum. Floresceu por volta de 18.000 a 13.557 a.C.

 

Tornarei a falar sobre o Antedesertium na parte da resenha destinada a esses antagonistas. 

As chamadas Sociedades, por sua vez, correspondem, grosso modo, às nações – estados, reinos, países, povos – de todas as épocas; mais especificamente àquelas localizadas entre o Antedesertium e os Herdeiros, ou seja, todas as nações humanas (sim, existiram nações pré-humanas primitivas e avançadas em Continuum, mas esse é um tópico de dezenas q n vou cobrir nesta resenha, do contrário ela n terá uma dezena de partes e sim uma centena, e, “mais dia menos dia” eu preciso voltar a trabalhar no Hostis, catrâmbias! [é, ando roubando interjeições do Evandro Affonso Ferreira e nem sou paarente ou amigo dele nem nada]), retomando, as Sociedades importam tanto em/para o Continuum – q esclarecendo, engloba tanto as Sociedades quanto os Herdeiros e outras civilizações saltadoras aliadas, humanas e inumanas – pq constituem o “tabuleiro” vivo onde os saltadores de salto (nível) 4 jogam o já citado Grande Jogo.

(Pois é, de novo esse tal Grande Jogo e nada de eu explicar q raios e trovões é essa joça. Acostumem-se: como eu já estou careca de repetir, o Continuum tem o cenário mais complicado q eu já vi, confesso q há conceitos ali q ainda n entendi, digamos, hmm... 10% - não, não faltou um zero aí –, outros q se confundem e, acredito eu, n são explicados c clareza, ou pq os autores mandaram mal no texto ou pq eles próprios n entendiam direito o q tinham criado [mto possível] ou pq tinham fumado um [quase certo].

E eu escrevi todo o parágrafo anterior só p justificar o constante adiamento de assuntos e definições – ô jogo complicado do carolho! –, embora na vdd esse adiamento todo é bait na superfície e, lá no fundo e de forma mto sofistica – parabéns p mim –, mimese da própria atividade de viagem no tempo, em q causas e consequências nem sempre ocorrem nessa ordem [agora chega, Fábio, pode ser? Pode].)

Já os herdeiros – última civilização saltadora da qual tratarei aqui – são “ao mesmo tempo” (“há, glu glu, ié ié”, como guincharia o saltador Serginho Malandro da Sociedade Brasil do séc. XX) tanto os predecessores quanto os sucessores da humanidade, ou seja, são o resultado da nossa evolução – os “humanos do futuro” – e, como viajam no tempo, tb estão presentes desde o passado remotíssimo do universo até o ano de 18.000 a.C, sendo proibido a todos os saltadores das Sociedades saltar p além do “espaço-tempo” das Sociedades, isto é, p as eras passada e futura q os Herdeiros habitam.

Até o ano 2222 os Herdeiros mantém a viagem no tempo em segredo, mas desde sempre vêm preparando a humanidade p a revelação, o q inclui, num lance “metanarrativo” já realizado c mais sucesso e criatividade pelo Castle Falkeinstein em 1994 (lembremos, Continuum é de 99, e tb pretendo resenhar o CF), o lançamento do RPG Continuum dentro do mundo ficcional, o q implica q, se vc tem, leu, jogou ou joga Continuum, raro leitor, pode ser q a “qq momento” (“salsi fufu, ié ié”) vc receba a visita de seu elder gemini, ou gêmeo sênior (um dos seus “eus” futuros, num chamado “incidente gemini” – mais a respeito na parte da resenha q trata da viagem no tempo e suas complexidades e conundrums [esta palavra é tão estranha e adequada ao seu significado q é uma das poucas q prefiro manter em inglês em vez de traduzir como enigma ou dilema]).

Como Mors Rattus escreve em sua gigantesca resenha sobre Continuum em https://writeups.letsyouandhimfight.com/mors-rattus/continuum-roleplaying-in-the-yet/ (slk, o cara praticamente refraseou o livro inteiro):

“Os Herdeiros são super-humanos, superando até mesmo os Enaltecidos [os saltadores vão de capacidade de “salto” – ou nível – 1 a 5, sendo os Enaltecidos os de nível 5]. Fisicamente eles se assemelham aos grays – isso porque eles são os grays, que por sua vez são descendentes dos humanos. O livro nos repreende por sermos tolos em pensar que fossem outra coisa, já que são humanoides. Na verdade, a maioria dos alienígenas está relacionada a nós, pois os Herdeiros colonizam o espaço através do tempo. Eles se esforçam muito para impedir que alguém suspeite quantas espécies ‘alienígenas’ existem em nossa era aí pelo universo, graças aos seus esforços de colonização.

“Além disso, eles caíram em Roswell. Um deles foi atingido por um rifle e morreu, e [por ter vindo do futuro] sabia que isso tinha de ocorrer porque estava historicamente registrado.”

Isso nos trás de volta à questão do determinismo em Continuum e às questões relacionadas do livre-arbítrio, obediência, rebelião, conformismo, autoilusão, sacrifício e outras tantas, pano p mta manga, manga esta q começou a ser tecida (e destecida!) na primeira parte desta resenha e continuará até a última, trama cujas implicações pretendo explorar n só dentro do mundo do jogo, mas tb no mundo “real” e, principalmente, no q implica em uma narrativa interativa, improvisacional e aberta como o RPG, traçando “controversos” ou até “perigosos” paralelos entre o papel de narrador ou “mestre” do jogo como “diretor e árbitro” das ações dos jogadores e o dos Herdeiros como diretores e árbitros dos saltadores e, em última instância, da humanidade e de toda a vida em todas as épocas e lugares.

Em jogo, já se percebe, os Herdeiros são o deus ex machina supremo: sendo efetivamente omniscientes, omnipresentes e omnipotentes, são, sem nenhum favor e simples assim, deuses; e deuses ourobóricos, aparentemente um caso em escala cósmica do paradoxo de bootstrap, aquele em q p pular uma cerca o sujeito puxa a gola do próprio casaco e se lança p ou outro lado, ou seja, casos em q o ser ou coisa n tem origem ou origina-se a si mesmo num ciclo interminável... O mestre de jogo, assim, pode fazer c q os Herdeiros apareçam do nada e a “qq momento” em discos-voadores tanto p salvar o dia quanto p acabar c a raça dos personagens dos jogadores por serem os irresponsáveis q geralmente são, “quase sempre” nessa ordem, tipo:

“Fábio, o q vc faz?”

“Lanço bola de fogo em geral, mestre!”

“Tem ctz?”

“Eu já disse: BOLA. DE. FOGO!!!”

“Fábio, vc vê de relance surgir na frente da janela a nave do ‘ET, telefone, minha ksa’.”

(Oh no...) acho q mudei de ideia... em vez das bolas de fogo eu pergunto educadamente ‘quem diabos está batendo na porta a essa hora da noite?!’”).

O leitor perspicaz já terá imaginado algumas repercussões, mtas das quais eu desenvolverei na parte da resenha q cobre os narcisistas. Aqui quero apenas deixar a pergunta “como os saltadores e os próprios narcisistas lidam c o conhecimento de q a história universal está determinada?” e variantes do tipo “pq suar e sangrar, morrer – ou mesmo nascer! – no proverbial teatro de tolos de Hamlet, ou melhor, nessa mera apresentação de marionetes (e quem serão os titereiros? Há quem diga q até mesmo os Herdeiros precisam seguir o roteiro).

Seria o mundo de Continuum um “conto narrado por um idiota, cheio de som e de fúria, significando nada”? Seria assim a vida real?

Por ora, nos contentemos em saber q as possíveis respostas seguem na linha dos já mencionados temas rebelião, conformismo, ilusão, autoilusão e outros mais.


Um Convite p Dança

Entre os dois extremos dos intermédios (os humanos não saltadores) e dos Herdeiros, encontram-se os saltadores de salto 1 a 5, lutando contra os narcisistas, jogando o Grande Jogo e realizando mais um sem-número de tarefas. Devemos falar deles agora, começando c a questão: como surge essa gente? A resposta é bem simples – eles são convidados p dançar. É sério. Está escrito assim mesmo lá no livro.

 

NA PARTE 4: Um convite p Dança – mas e a música?




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